Começámos uma
nova semana num veículo de emoções: Enérgico e intenso. Semana após semana as
nossas expectativas são inúmeras, desde o momento em que decidimos viver esta
aventura que ela tem sido um tornado de sentimentos. Entrámos num novo “mundo”,
este que nos tem proporcionado momentos que dificilmente iremos esquecer.
Começámos a adquirir novos hábitos, novas rotinas, novos amigos, novas experiências
assim como novos conhecimentos fundamentais para a vida pessoal e profissional
futura.
A
segunda-feira apresentou-se para Fred, Ana e a Mipa com um nervoso miudinho
pois foi o primeiro dia que estes tiveram contacto directo com o local de
estágio. Começaram pelo “Equipo Medio Abierto”, a recepção, como já é habitual
aqui em Ceuta, foi calorosa. Conhecemos
toda a equipa bem como as instalações onde exercem o seu trabalho de Educadores
Sociais. A realidade da delinquência e exclusão social é dura e cada vez mais
evidente e é aqui que entra o trabalho incansável, de resposta às carências dos
menores, por parte desta equipa.
Para a Marta e para a Vanessa, esta foi mais uma semana de enriquecimento cultural. Na área de alfabetização e alfabetização digital continuaram a conhecer todos os métodos de ensino e a trocar experiências com as mulheres muçulmanas, com quem têm aprendido bastante sobre a sua cultura, inclusivamente, fizeram um vídeo sobre como fazer a dobra do “pañuelo” de duas formas distintas, para isso contaram com a ajuda de duas muçulmanas, Fátima e Malika, duas senhoras muçulmanas com quem têm vindo a conviver. Sem dúvida, que toda esta aprendizagem é inigualável e de um crescimento não só a nível profissional, mas acima de tudo pessoal.
“Saber a
gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria, se aprende é com a vida
e com os humildes." (Cora Coralina).
Com a manhã de estágio concluída,
chegou a hora de ir para a faculdade. O bando decidiu inscrever-se nas “Jornadas de Iniciación al Voluntariado”,
esta foi mais uma iniciativa muito enriquecedora, onde tivemos a oportunidade
de conhecer pessoas com diferentes experiências de voluntariado e alguns projectos
europeus relacionados com o tema.
Um novo dia começou e com ele um novo desafio: dar uma entrevista para uma rádio local. Pois é amigos, estamos a ficar conhecidos por estas bandas.
Um novo dia começou e com ele um novo desafio: dar uma entrevista para uma rádio local. Pois é amigos, estamos a ficar conhecidos por estas bandas.
Seguimos para um café-convívio, é estranho como os estudantes socializam com os professores sem hierarquias, num contexto mais informal do que estamos habituados. O facto da universidade ser um meio mais pequeno tende a aproximar mais as relações entre alunos, professores e funcionários.
Chegou a hora do segundo e último dia das jornadas do voluntariado. Este segundo dia marcou-nos de uma forma muito peculiar pois no meio de tantas pessoas encontrámos um português.
Ana, no intervalo da sessão,
estava a procurar uma palavra no dicionário português/espanhol quando se houve
uma voz: “estas a aprender portugués?” ao qual Ana responde: “no, yo soy
portuguesa” e aí ouve-se em tom surpreso um “és portuguesa?”, foi um despertar
de sentimentos inexplicáveis, todos fomos ao encontro daquela voz que nos soou
como que em tom familiar. E ali estava o Filipe, um padre jesuíta em missão em
Ceuta, que curiosamente é de Coimbra. Foi tão estranho quanto bom ouvir a nossa
língua, depois de tanto tempo a conviver com pessoas a falar tudo menos
português. A nossa a sensação de ouvir um “és portuguesa?”, foi das mais surpreendentes
que vivemos.
Filipe está a fazer uma missão numa associação chamada “Élin”, uma associação que acolhe pessoas que, por algum motivo, tiveram que sair do país que residiam. Muitas delas ainda ilegais em Ceuta procuram nesta um refúgio para sobreviver nesta nova cidade e desejam um dia poder rumar à europa.
A acompanhar Filipe, estavam 5
jovens do Chade, que até ali eram meros participantes sentados na plateia tal como nós, até que
Jesus, representante da Élin, explicou as suas histórias. Foi como um “abanão”
toda aquela narração pois estes tiveram que fugir do seu próprio país devido às
circunstâncias de guerra que ali se viviam, buscando a vida no desconhecido.
Toda esta sessão se fez marcar pelo que um deles disse, ainda que com um
espanhol “afrancesado”, “Eu estou muito contente por estar aqui hoje porque
desde que cheguei a Ceuta é a primeira vez que contacto com pessoas da minha
idade, pois estas têm medo de nós e não nos falam”, foi então que se fez sentir
um enorme silêncio e diferentes pensamentos começaram a pairar por toda aquela
sala. Foi então que constatámos uma realidade “um pouco escondida”, e ouvimos histórias de
vida que nos fizeram pensar que os nossos problemas são meros contratempos.
Nasce então um novo dia, e logo pela manhã os estagiários da área de menores, tiveram com Francisco (mais conhecido por Keko), Chefe da equipa do “Medio Abierto” este que se revelou um poço de sabedoria e que tem vindo a transmitir-lhes tudo o que sabe e de um modo que os deixa completamente compenetrados nas suas palavras.
Após isso, seguiram
viagem para um dos bairros mais problemáticos de Ceuta: o bairro “Príncipe Alfonso”.
Este é um bairro muito diferente do que tínhamos visto até hoje, sendo uma
realidade distinta daquela a que estamos acostumados. O bairro situa-se na
periferia de Ceuta, próximo da fronteira com Marrocos, onde habitam maioritariamente
muçulmanos.
Acompanhados por
Keko, foram conhecer o “Centro Integral EQUAL”, este é um centro que foi projectado
para o combate da exclusão social e laboral. Nele existe uma equipa
multidisciplinar que tem como objectivo preparar os alunos para a sua
integração, desde psicólogas a pedagogas, dando-se primordial importância à aprendizagem
do castelhano e outros tipos de formação, indo estas de encontro às
necessidades das pessoas.
Pela tarde, o bando esteve por casa a recargar baterias para o resto da semana que se avizinhava.
Pela tarde, o bando esteve por casa a recargar baterias para o resto da semana que se avizinhava.
Enquanto isso, Fred, Ana e Mipa foram conhecer a “Escuela de la Construcción” que visa promover a empregabilidade proporcionando uma formação voltada para o ramo da construção civil. Esta tem uma distinção hierárquica muito forte onde pudemos constatar que os alunos não têm acesso a mais nenhuma parte das instalações senão o piso correspondente à teoria e prática, tendo mesmo que efectuar a entrada pelas traseiras (tratamento especial não?).
Chegou a tarde e com ela o curso de Daríya, cuja aprendizagem e pronunciação é no mínimo divertida, para que tenham uma noção basta que coloquem uma batata quente na boca e tentem falar. Que tal? Estanho não? A pronuncia é difícil, as palavras soo-nos estranhas, mas tem sido um conhecimento essencial na nossa estadia.
Aprendemos a
saudar as pessoas dizendo “salam u 3alaikum” ou qual a resposta deve ser “u
3alaikum salam”, entre inúmeras coisas, aprendemos o básico do dia-a-dia como:
“Be-slama” que é adeus, “es-bah el jer” que significa bom dia, “laila sa3ída”
que é boa noite, “em sal jer” que é como a nossa boa tarde e “shokran” que
significa obrigado.
Com a aula terminada, o grupo regressou a casa para o merecido descanso, esta semana foi um verdadeiro tornado carregado de novos conhecimentos.
No âmbito do seu estágio curricular, Marta e Vanessa juntamente com outros estudante Erasmus, Cesár e Santigo tiveram a oportunidade de conhecer a Fundação Crisol, de Culturas 2015 presidida pelo Comissário Jesús Fortes Ramos. Este encontro teve como tema, os Erasmus na cidade de Ceuta e o facto de sermos os primeiros portugueses aqui na cidade de Erasmus. Para começar estes, tiveram uma breve contextualização sobre a criação da fundação, onde foram reforçadas essencialmente as ligações existentes entre Portugal e Ceuta onde foi mencionada a seguinte expressão: “Ceuta, no es donde termina España. Aquí es donde Europa comienza.”
Seguiu-se uma conferência de imprensa, onde estas duas jovens portuguesas tiveram oportunidade de dar o seu parecer acerca de Ceuta e da sua ligação com Portugal.
Ver reportagem: http://www.elpueblodeceuta.es/videos/V_2011/003975.swf
Fred, Ana e Mipa ao final do seu estágio puderem juntar-se aos seus colegas onde foram encaminhados para uma sala para visualizar um vídeo sobre Ceuta e a sua história.
De seguida fomos convidados a entrar num autocarro para assim participarmos numa visita guiada aos pontos extremos de Ceuta onde a perspectiva se faz segundo uma panorâmica fantástica de toda a cidade (paragem no Mirador de Mirador Santa Isabel II e no Mirador S. António). Tivemos ainda o privilégio de observar a famosa montanha da “mujer muerta”. Resume-se assim a manhã como extremamente agradável e com um enriquecimento cultural elevado.
Mais um dia
do curso de Daríya pela frente em que Vanessa, Marta e a
Ana foram mais cedo enquanto a Mipa e o Fred foram buscar os passes de
autocarro. E perguntam vocês: “O que é que isto tem de interessante?” Pois bem,
o “melhor” veio a seguir quando estes presenciaram o primeiro choque cultural desde
a sua estadia na cidade, uma
cena de pancadaria entre duas senhoras, uma das quais tinha o conhecido “pañuelo”. Foi no mínimo assustadora toda aquela situação pois todo o autocarro estava aos gritos, a tentar
separar ambas de todo aquele aparato.
Um serão em que estávamos apenas 10 pessoas, uma cadela, uma fogueira, o mar e as estrelas e a isto juntou-se o convívio, a troca de experiências, as gargalhadas, os jogos e boa música. Foi sem dúvida um dos momentos mais “zen” que o grupo teve até agora.
O domingo e o descanso chegaram juntos, e a tarde serviu para o habitual descanso comunitário mas com a diferença que terminámos o dia numa esplanada com o Filipe, o missionário português que conhecemos nas jornadas. Foi bastante prazeroso podermos conviver com uma pessoa portuguesa e ainda para mais sendo este um homem tão vivido e com tantos conhecimentos.
E pronto
caros visitantes assim foi mais um reboliço de emoções e vivências.Esperem
pela próxima semana que de certo trará novas experiências...
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